segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

xxx


Pseudo palavras de duração finita, quase irregular
Morbidamente adormecida entre o querer e o pensar
Finjo saber aquilo que quero
E quando quero destroço a alma daquele que ousa à minha frente se atravessar
E mato e moo e rio-me com troça de nojo e desespero
Apelo ao fazê-lo, quero muito mais que um simples pedido de joelhos
Rasteja, implora e eu espezinho-te, porque não admito que seja um sacrifício pequeno
Enjoo de ti ao ver que não sabes lutar
Não sabes querer fazer aquilo que é o melhor para ti
Chora e humilha-te, porque o teu corpo à terra pertence, mas a tua alma é minha
E minha, só minha, porque a mim afrontaste e de mim terás retorno
Sem medo ou piedade, dou-te avanço, não corro
Espero que vás para bem longe e sei que voltas
Ontem ela disse-me “a vida é um círculo”
Então fá-lo completo, e volta para mim
Volta para as minhas mãos onde te esmagarei, verme desprezível
Escória da humanidade alguns diriam, mas eu não
Ser escória para ti é um elogio nobre demais
És cão
És lixo
És chão
És bicho
E chuto
E piso
E cuspo
E o riso… ah o riso!
Esse aumenta e de ti nem mais uma tormenta
Adormeces, e enfim, o sono eterno
E ao invés dos braços de Morfeu, encontras Hades, o meu querido
Ele levar-te-á para a tua nova casa
Abaixo de mim, abaixo de tudo
Longe de mim, longe de tudo
E por fim o teu corpo vazio e gélido está sozinho e inerte
Como sempre deveria ter estado
E assim a minha alma livre e plena
Agora vingada e já mais leve, serena
Repousa, mas não onde outrora afogaste as tuas mágoas e desfloraste a tua alma
Mas num lugar onde nunca chegarás
Bem acima do lugar onde estás.

1 comentários:

  1. algures neste teu texto fizeste-me lembrar uma viuva negra, que após o acto sexual mata o seu amante, poderia muito bem este teu texto ser um discurso de uma viuva negra, ou então da Medeia o nome de uma personagem de uma tragédia grega que mata os filhos e dá-los a comer cozinhados ao marido.
    Muito interessante e forte esse teu texto..;) beijos

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