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sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Gossip

Ela queria mais do que aquilo que tinha.

Ele não sabia se o que queria era o melhor.

Beijaram-se.

Brigaram.

Envolveram-se.

Conversaram.

Discutiram.

Separaram-se.

– Uma palavra, cinco letras. Diz-me e eu serei tua.

Ele não disse.

Respiraram fundo.

Evitaram-se.

Encontraram-se.

Provocaram-se.

Jogaram o seu jogo.

Cansaram-se dele.

Ela queria de volta aquilo que tinha.

Ele queria mais do que o que tiveram.

– Uma palavra, cinco letras. Diz-me e eu serei teu.

Ela não disse.

Choros, gritos, descontentamento.

Tristeza. Uma profunda tristeza…

Eles querem mais do que têm, mas não sabem como manter algo que nunca tiveram.

Eles querem ser um “nós”, mas são demasiado “eles” para isso.

– A razão pela qual não conseguimos dizê-lo um ao outro não é por não ser verdade.

– Então, por quê?

– Acho que ambos sabemos que assim que o fizermos, não será o início de alguma coisa. Será o fim.

O rosto dela cobriu-se de cristais salgados.

O rosto dele de uma satisfação inglória.

Ela vertia lágrimas pela não consumação do seu amor.

Ele demonstrava a satisfação de quem simplesmente sabe...

– Mesmo que não te tenha, és minha.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Amigos e ponto final.

Estava eu a andar pelo Hi5, a reclamar das recentes alterações de layout, quando me apercebi que com o novo layout os Diários ficam destacados e, não sei bem como. fui parar ao Diário de uma linda menina chamada Carla Sofia, mas apelidei-a há cerca de três anos de "pequenina". Não vos vou dizer que ela é minha amiga da infância, mas digo sim que tenho a honra de conhecê-la desde Setembro de 2004 e que a considero uma AMIGA para a VIDA. Eis o texto que estava no seu Diário.

Ai saudade! : 11/Set/2009

"Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...

(...)

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos..."

Antoine de Saint-Exupéry*

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Sinto a vossa falta... A razão é simples...O meu coração viu em vocês o tal "essencial", aquilo que é "invisível aos olhos"... Aquilo que realmente me cativou...Hoje, recordo com carinho e saudade os nossos "bons velhos tempos"...Receio não conseguir largar este sentimento que, se por um lado me faz feliz, porque vos encontrei, por outro me tortura, por não poder ter-vos comigo como me habituei...Sinto-me impotente por não conseguir ultrapassar tudo isto....

Ai as saudades que eu tenho do "bom dia" mal humorado da Joana, dos cozinhados da Fi, de ver a Sandra coladona no PES, de ouvir a Lu a reclamar do cabelo, das lamentações e dúvidas existenciais do Ludovic, das conversas com a minha Aninha...Ai o que eu não dava para viver uma semaninha desses tempos...

Sei que todos nós voltariamos atrás, e viveriamos cada momento de novo... Não tenho qualquer dúvida!

Meus amores, tenho saudades nossas.

Obrigado por terem feito com que estes três últimos anos tenham sido tão "sem palavras"!!

Sofia, minha pequenina, este considero ser dos textos mais bonitos que já li. É de uma ternura tão grande que ultrapassa qualquer sátira às nossas aventuras estudantis, derruba qualquer texto melancólico-depressivo que expresse a dor que a saudade nos faz sentir, colmata tantas quantas forem as palavras utilizadas para explicar as nossas conversas da treta que estavam sempre acorrentadas às gargalhadas sonoras e ao deboche amigável. Este não é um texto apenas sobre a saudade, falas de amizade e amor fraterno, falas sobre os doces prazeres da convivência. Este texto é de uma visão pura e simples - rasa, larga e profunda - sobre o que fomos enquanto grupo. Não interessam as nossas diferenças ou até mesmo as nossas semelhanças, não importam as coisas fúteis ou sérias que nos faziam gritar uns com os outros, não interessam as desavenças e as pazes, nem mesmo interessa se as loucuras de uns enlouqueciam os outros e nos faziam ser uma família irregular. O que interessa é que a bem ou mal escolhemo-nos para durante três anos partilharmos as nossas vidas num grau de proximidade e entrega estupendo.

Para mim a amizade é isso. Proximidade, entrega e amor fraterno.

Amizade são os fios de um incalculável tesouro que nos envolve num abraço. Amigos são aqueles que perpetuam a nossa esperança na realização dos sonhos, são aqueles que nos puxam o tapete quando precisamos aprender a cair, mas são também aqueles que nos acolhem com ternura e nos dão colo nos momentos mais difíceis.

Amigos não são pessoas, anjos ou demónios. Amigos são partes de nós que se perdem e se encontram ao logo da vida até que o nosso puzzle interior esteja completo. Uns são a encarnação da pureza que iluminam o mundo com o seu sorriso. Há os que são furacão e fazem com que as reviravoltas nas nossas vidas aconteçam. Existem também as nossas almas gémeas em forma de amigo, que gostam do que gostamos, ouvem o que ouvimos e nos compreendem e apoiam mesmo quando nem nós nos compreendemos. Também há os que são muito mal-humorados e estão sempre a chatear, mas adoram-nos de paixão. Não me esqueço dos distraídos e esquecidos que podem não se lembrar quando fazemoss anos, mas sempre estão ao nosso lado quando precisamos rir ou chorar.

Sim, eu já vivi sem saber o que era amizade.

Sim, eu já aprendi o que ser amiga de alguém significa.

Não, eu não tenho muitos amigos.

Não, eu não sei viver sem eles.

Talvez alguns deles leiam isto.

Porém, isto é para aqueles que SÃO meus amigos e de quem EU sou amiga. Não englobo falsidades, nem política de boa vizinhança.

AMO OS MEUS AMIGOS

São poucos, são bons, podem contar sempre comigo e sabem quem são.

domingo, 1 de Novembro de 2009

Viagem

Envolvida na penumbra da noite, a lua cheia é a única que luz que permito que toque o meu corpo. Ando pelas ruas a percorrer caminhos inusitados à procura de sensações cada vez mais satisfatórias, mas o que encontro é o vício.

Desfaço-me em pedaços de loucura e discernimento, as minhas vontades se misturam com os desejos alheios, encontro o que falta. Por hoje já tenho aquilo que necessito.

No cérebro o entorpecimento do desejo glorifica a falta de razão e a impulsividade, na pele a leveza dos beijos e a profundeza da dor se mesclam com o prazer dessa fuga da realidade.

Enlouqueço.

A música narcotiza os meus sentidos. Estou nas mãos do mundo que me leva para as trevas da noite, como quem leva a donzela para o sacrifício.

Sede de sangue.

Desejo de prazer.

Fome de vício.

Sou apenas uma oferenda aos deuses do pecado e sê-lo, para mim, é uma honra inegável. Entrego-me, deixo-me levar. A pedra do sacrifício que parece tão dura e fria para os sacerdotes da luz, é na verdade um leito de ardente luxúria. O sacrifício não é doloroso, é prazer. Uma mistura fina de línguas vorazes, mãos cegas e olhos famintos transforma tudo em sabor. Delicio-me.

Levanto. Prendo o cabelo, que quando solto revela o selvagem que envolve a caricatura de boneca de porcelana que por vezes sou. As mãos percorrem o pescoço, os ombros, os braços, os seios, a linha da silhueta e por fim se encontram. Descubro que estou inteira. Nenhuma parte de mim foi sugada pelo sacrifício da luxúria. Visto-me. Vou em direcção à porta, por instinto olho para trás. O leito em vermelho vivo acolhe o corpo nu do qual me servi. Pele alva espalhada no sangue dos tempos. Os dedos acariciam os lábios, o silêncio persiste.

Saio pela porta. Fecho-a à sete chaves e então vejo as escadarias do meu inconsciente que levam a minha mente por rotas inimagináveis. Fico deslumbrada pela quantidade de portas a abrir. Foco naquela que acabei de fechar e leio em letras, pouco trabalhadas, talhadas no maciço mogno...

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D E S E J O _ S U B C O N S C I E N T E

sábado, 24 de Outubro de 2009

Self Destruction


Três da manhã.

Ela entrou pela porta da frente e decidiu sentar-se ao meu lado.

Dentro de mim sinto a bateria incontrolável a pulsar de sensações desconhecidas, mas que reconheço bem demais. O seu sussurro invade os meus ouvidos como um mantra da morte que me condena aos mais terríveis prazeres. As minhas veias dilatam e o sangue flui como se pretendesse atingir a velocidade da luz.

Estou electrizada.

Quero sentir tudo! Sempre quis, mas o que acontece agora? As sensações mais enlouquecedoras parecem… triviais.

Nada me excita.

Nada me leva ao orgasmo.

Tudo é mais do mesmo.

Sinto o corpo em dormência constante e de repente…

Lá estás tu! Esse teu sorriso mordaz combinado com o olhar dominador que me hipnotiza. Morro e ressuscito para a vida das loucuras anunciadas, para as dilacerações contínuas que elevam o corpo ao prazer inominável.

As mãos conjugadas percorrem o corpo outrora dormente. Os beijos acontecem. Os dentes cravam a carne. Os sussurros tornam-se tórridos. Os corpos se entrelaçam.

Como que se emergisse das profundezas, respiro. O fôlego me falta, mas procuro-o dentro de ti. As palavras são engolidas como se de goles desesperados de prazer se tratassem. Nada mais é dito, tudo é gemido desesperado de prazer.

O mundo pára, as palavras deixam de fazer sentido, os corpos conversam entre si como amigos de longa data num trocar de carícias sem fim.

Arrepiar. Estremecer. Enlouquecer. Prazer.

Tudo é prazer quando nada mais me domina além de ti.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Levantar

No fundo, seria fácil se não fosse tão complicado…

As palavras extinguem-se antes mesmo de atingir o ápice da pronunciação, os pensamentos elevam um simples momento aos dias que passo na clausura da minha própria solidão.

Gotas intermitentes enlouquecem-me ao caírem desesperadas lá fora e dentro de quatro paredes auto-recrimino o medo que me apavora.

Danças insolentes invadem o salão onde me encontro, pessoas sorridentes varrem de mim a esperança, continuo estagnada no mesmo ponto.

As almas perdidas corroem as pilastras cansadas de suportarem o tempo, séculos e séculos se esgotam num segundo.

Vejo os vultos dos momentos felizes como assombrações perdidas na linha do tempo e os demónios da tristeza e da auto-comiseração atacam-me como sanguessugas esfomeadas de mim.

Tento fugir, resistir, sei lá…

Neste momento tudo o que me ocorre é pensar, pensar, pensar até não conseguir mais raciocinar, até nem sequer conseguir desvendar o significado de uma palavra simples como levantar.

Sem levantar, fico prostrada pelos cantos vendo o tempo passar e a imaginar que consigo pará-lo, mas não, ele não pára.

A medida que o imparável tempo avança, fico para trás perdida nesse mausoléu repleto dos esqueletos dos pensamentos passados, mortos e decompostos pelo tempo que nunca parou, mas que me deixou para trás por essa minha incapacidade de assimilar aquela simples palavra: levantar.