
Três da manhã.
Ela entrou pela porta da frente e decidiu sentar-se ao meu lado.
Dentro de mim sinto a bateria incontrolável a pulsar de sensações desconhecidas, mas que reconheço bem demais. O seu sussurro invade os meus ouvidos como um mantra da morte que me condena aos mais terríveis prazeres. As minhas veias dilatam e o sangue flui como se pretendesse atingir a velocidade da luz.
Estou electrizada.
Quero sentir tudo! Sempre quis, mas o que acontece agora? As sensações mais enlouquecedoras parecem… triviais.
Nada me excita.
Nada me leva ao orgasmo.
Tudo é mais do mesmo.
Sinto o corpo em dormência constante e de repente…
Lá estás tu! Esse teu sorriso mordaz combinado com o olhar dominador que me hipnotiza. Morro e ressuscito para a vida das loucuras anunciadas, para as dilacerações contínuas que elevam o corpo ao prazer inominável.
As mãos conjugadas percorrem o corpo outrora dormente. Os beijos acontecem. Os dentes cravam a carne. Os sussurros tornam-se tórridos. Os corpos se entrelaçam.
Como que se emergisse das profundezas, respiro. O fôlego me falta, mas procuro-o dentro de ti. As palavras são engolidas como se de goles desesperados de prazer se tratassem. Nada mais é dito, tudo é gemido desesperado de prazer.
O mundo pára, as palavras deixam de fazer sentido, os corpos conversam entre si como amigos de longa data num trocar de carícias sem fim.
Arrepiar. Estremecer. Enlouquecer. Prazer.
Tudo é prazer quando nada mais me domina além de ti.

